A festa anual que escolhe os melhores (ou mais políticos, depende do ano) da indústria cinematográfica americana esteve por um fio em 2008. Depois de três meses de greve dos roteiristas, uma festa do Globo de Ouro cancelada e cerca de U$ 2,5 bilhões em prejuízos, o suspense acabou quando foram anunciados os indicados e o evento marcaro para 24 de fevereiro . Uma grande mobilização em forma de piquetes e diversas reuniões garantiram que o Oscar chegasse a sua edição de número 80.
De cara a favoritismo estava com Sangue Negro, filme escrito, produzido e dirigido por Paul Thomas Anderson. Com Daniel Day-Lewis no papel que não caberia a mais ninguém, parecia realmente que Sangue terminaria a noite imbatível. Daniel realmente confirmou seu favoritismo vencendo como melhor ator, mas o filme levou apenas mais uma estatueta: a de fotografia, merecida. Teria certamente ganhado outra, a de melhor trilha sonora, se Johnny Greenwood, da banda Radiohead, não tivesse sido simplesmente ignorado pela academia. Trata-se de uma das mais poderosas e incisivas trilhas instrumentais ja produzidas. Algo que não ouvia há muito tempo.
Onde os Fracos Não Têm Vez foi escolhido como o melhor filme de 2007. Oscar merecido não apenas por se tratar de uma obra Coen, mas, pela história que conta. Baseado no livro de Cormac McCarthy, os Coen a transformaram em uma história simples, mas com pitadas de surrealismo, ironia e sutileza incríveis. Personagens únicos, que na pele dos atores certos poderiam render o máximo. E foi o que aconteceu. Javier Bardem ganhou sua estatueta pela assustadora presença de Anton Chigurh, algo de outro mundo. Onde os Fracos ainda arrematou as categorias de roteiro adaptado e direção, consagrando-se como o grande vencedor da noite.
Algumas boas surpresas marcaram o evento. Marion Cotillard ganhou como melhor atriz por seu papel como Edith Piaf em Piaf – Um Hino ao Amor e emocionou a todos com um agradecimento sincero e honesto. A ótima Tilda Swinton levou como melhor atriz coadjuvante, mas, a prova de que cinema bom é feito com o coração veio no vencedor da categoria de melhor canção. Falling Slowly, composta por Glen Hansard e Marketa Irglova faz parte da trilha do filme Apenas Uma Vez, rodado em nas ruas de Dublin dois anos atrás com duas handycams em três semanas. Uma das mais lindas melodias que já passaram pelo palco do Oscar
Ainda, acompanhamos o nascimento de uma nova roteirista original, Diablo Cody e a expressão de tédio e um “não tô nem aí” dos Coen: sem agradecimentos ou juras de amor, apenas um pequeno “obrigado” de cada um. Mais original impossível.
Abaixo a lista dos ganhadores.
Filme - Onde os Fracos Não Têm Vez
Diretor -Ethan e Joel Coen, Onde os Fracos Não Têm Vez
Ator - Daniel Day-Lewis, Sangue Negro
Atriz - Marion Cotillard, Piaf – Um Hino Ao Amor
Ator Coadjuvante - Javier Bardem, Onde os Fracos Não Têm Vez
Atriz Coadjuvante – Tilda Swinton, Conduta de Risco
Roteiro Original - Diablo Cody, Juno
Roteiro Adaptado – Ethan e Joel Coen, Onde os Fracos Não Têm Vez
Animação - Ratatouille
Filme Estrangeiro – The Counterfeiters, Áustria
Fotografia - Sangue Negro
Direção de Arte – Sweeney Todd
Figurino - Elizabeth: A Era de Ouro
Som - O Ultimato Bourne
Efeitos Sonoros – O Ultimato Bourne
Edição - O Ultimato Bourne
Efeitos Visuais – A Bússola de Ouro
Maquiagem - Piaf – Um Hino ao Amor
Trilha Sonora – Dario Marianelli, Desejo e Reparação
Canção - Falling Slowly, Glen Hansard e Marketa Irglova – Apenas Uma Vez
Curta-Metragem Animação – Peter and The Wolf
Curta-Metragem - Le Mozart des Pickpockets
Curta-Metragem Documentário – Freeheld
Documentário - Taxi to The Dark Side