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França e Brasil vencem em festival sem favoritos em Cannes

Maio 29, 2008

Depois de 21 anos a França volta a vencer em Cannes. O grande vencedor da Palma de Ouro foi o drama Entre Les Murs (Entre Paredes), de Laurent Cantet. A história da obra está relacionada com educação na França e com a imigração e seus efeitos na vida cotidiana das escolas. As dificuldades de professores e educadores em geral para lidar, principalmente, com o preconceito contra os estrangeiros. Entre Les Murs é baseado em livro de François Bégaudeau, crítico de cinema, também co-roteirista e parte do elenco do longa.

O Brasil teve uma boa surpresa quando o prêmio de melhor atriz foi anunciado para Sandra Corveloni, por Linha de Passe, de Walter Salles e Daniela Thomas. Ambos os diretores do filme brasileiro receberam, das mãos do ator Jean Reno, o prêmio por Sandra, já que ela não estava presente ao evento por problemas de saúde. O cinema brasileiro ainda foi premiado na mostra de curtas-metragens Un Regard Neuf (Um Novo Olhar), na quinzena dos realizadores com o filme pernambucano Muro, de Bruno Bezerra, o Tião.

Nos demais prêmios Benicio Del Toro levou como melhor ator pelo filme Che, de Steven Soderbergh. O prêmio de direção foi para o turco Nuri Bilge Ceylan, pelo festejado Three Monkeys. A já costumeira presença dos Irmãos Dardenne não passou em branco neste ano. Jean-Pierre e Luc receberam o prêmio de melhor roteiro pelo filme Lorna’s Silence. O Grand Prix, um tipo de segundo lugar foi entregue à Matteo Garrone por Gomorra e o Prêmio do Júri foi para Paolo Sorrentino por Il Divo. A Palma de Ouro para curtas-metragens foi para o romeno Marian Crisan, por Megatron e a Câmera de Ouro foi para Steve McQueen e seu filme Hunger, que abriu a mostra Um Certo Olhar.

No campo das homenagens, o prêmio por conjunto da obra foi para o português Manoel de Oliveira. Já o Prêmio Especial do 61º Festival de Cannes foi para a atriz francesa Catherine Deneuve, que esteve presente no filme Un Conte de Noël, e para Clint Eastwood, que concorria na mostra competitiva com Changeling.

Mesmo depois da premiação a crítica internacional considerou este festival de Cannes em particular um dos mais fracos dos últimos anos. A ausência de grandes favoritos e, principalmente, a ausência de algumas obras-primas, que sempre aparecem na Croisette foram decisivas para transformar os ares do Festival. Além de ser uma grande vitrine para o mercado mundial, o evento também é o lugar onde são fechados grandes negócios de distribuição, principalmente fora do país de origem dos longas.

Até o final do festival poucos filmes tinham contratos firmados para exibição em outros países, e praticamente nenhum tinha representação no maior mercado cinematográfico mundial, que são os Estados Unidos. Evoco aqui Ana Maria Bahiana, que disse, baseada nessas premissas, que se aproxima uma era em que o “filme de arte” não mais fará sentido para estúdios e distribuidores.

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Cannes 2008

Maio 21, 2008

Começou no dia 14 e vai até dia 25 de maio a 61ª edição do Festival de Cannes. Em todo o tempo de existência do Festival, ele serviu como a grande cena de lançamento das obras mais novas de cineastas renomados, adicionando um certo glamour inexistente em Hollywood e simplesmente único da riviera francesa. Hoje em dia até mesmo pesos pesados da indústria americana lançam seus filmes primeiro em Cannes, para depois mostrá-las no largo circuito das salas multiplex. Neste ano o novo Indiana Jones dá as caras por lá, bem como novas produções de Woody Allen e Clint Eastwood.

De cara tivemos Fernando Meirelles no primeiro dia de evento, abrindo a mostra competitiva com Ensaio Sobre a Cegueira. Mesmo sendo aplaudido por cerca de 8 minutos após a exibição (aplausos significam muito), alguns críticos de revistas como a Variety não gostaram da visão de Meirelles para a obra de Saramago. No dia 17 foi a vez de mais brasileiros passarem pela Croisette, Walter Salles e Daniela Thomas apresentaram Linha de Passe, também na mostra competitiva. Neste mesmo dia Vicky Cristina Barcelona, fora de competição trouxe Woody Allen e Penélope Cruz ao tapete vermelho. Scarlett Johanson, que também participa do longa, foi banida do festival por fazer muitas exigências à distribuidora.

O chicote de Harrison Ford cantou novamente no dia 18, com exibição fora de competição de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. Nesta segunda foi a vez do cineasta português Manoel de Oliveira receber o prêmio pelo conjunto de sua obra, no mesmo ano em que completa o centenário de vida. Ontem, terça-feira, 20, o grande espetáculo ficou com Changelling, novo de Clint Eastwood em competição, que dizem ser um grande filme. Na Midnight Screening Diego Maradona bateu uma bola na apresentação do documentário Maradona by Kusturica, do duas vezes ganhador da Palma de Ouro, Emir Kusturica.

Paralelamente o Cannes Classics trás uma série de obras restauradas como Lola Montès, de Max Ophüls e Orfeu, de Jean Cocteau. Acontece também a mostra Um Certo Olhar, que conta, entre outros, com o filme brasileiro A Festa da Menina Morta, de Matheus Nachtergaele. Na mostra competitiva teremos nos próximos seis dias de festival estréias dos novos filmes de figuras reincidentes do cinema. Wim Wenders, Atom Aegoyan, a excelente Lucrecia Martel e os Irmãos Dardenne. Ainda, Steven Soderbergh revelando sua visão de Che Guevara com Che, e o extremo nerd Charlie Kaufman apresentando Synecdoche, New York. Por esses nomes todos, acho que o festival, na verdade, começa agora.

Abaixo, a seleção do Festival:*

Mostra Competitiva

Ensaio Sobre a Cegueira (Brasil/ Japão/ Canadá), de Fernando Meirelles
Entre Les Murs (França), de Laurent Cantet
Two Lovers (EUA), de James Gray
24 City (China), de Jia Zhangke
Adoration (Canadá), de Atom Egoyan
Changeling (EUA), de Clint Eastwood
Che (The Argentine e Guerrilla) (Espanha), de Steven Soderbergh
Un Conte de noel (França), de Arnaud Desplechin
Uc Maymun (Turquia), de Nuri Bilge Ceylan
Delta (Alemanha/ Hungria), de Kornel Mundruczo
Il Divo (Itália), de Paolo Sorrentino
Gomorra (Itália), de Matteo Garrone
La Frontiere de l’aube (França), de Philippe Garrel
Leonera (Argentina/ Coréia do Sul), de Pablo Trapero
Linha de Passe (Brasil), de Walter Salles e Daniela Thomas
La Mujer sin cabeza (Argentina), de Lucrecia Martel
My Magic (Cingapura), de Eric Khoo
The Palermo Shooting (Alemanha), de Wim Wenders
Serbis (Filipinas), de Brillante Mendoza
The Silence of Lorna (Reino Unido/ França), de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne
Synecdoche, New York (EUA), de Charlie Kaufman
Waltz With Bashir (Israel), de Ari Folman

Fora de Competição

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (EUA), de Steven Spielberg
Kung Fu Panda (EUA), de Mark Osborne, John Stevenson
The Good, the Bad, the Weird (Coréia do Sul), de Kim Jee-woon
Vicky Cristina Barcelona (EUA/ Espanha), de Woody Allen

Midnight Screening

Maradona (Espanha/ França), de Emir Kusturica
Surveillance (EUA), de Jennifer Lynch
The Chaser (Coréia do Sul), de Na Hong-jin

Especiais

Ashes of Time Redux (China), de Wong Kar-wai
Of Time and the City (Reino Unido), de Terence Davies
Roman Polanski: Wanted and Desired (EUA/ Reino Unido), de Marina Zenovich
Sangue Pazzo (Crazy Blood) (Itália/ França), de Marco Tullio Giordana

Exibição do Presidente do Júri

The Third Wave (EUA), de Alison Thompson

Mostra Um Certo Olhar

A Festa da Menina Morta (Brasil), de Matheus Nachtergaele
Afterschool (EUA), de Antonio Campos
De Ofrivilliga (Suécia), de Ruben Ostlund
Je veux voir (França), de Joana Hadjithomas e Khalil Joreige
Johnny Mad Dog (França), de Jean-Stephane Sauvaire
La vie moderne (profiles paysans) (França), de Raymond Depardon
Los Bastardos (México), de Amat Escalante
Milh handha al-bahr (Salt of This Sea) (Palestina), de Annemarie Jacir
O’ Horten (Noruega/ Alemanha), de Bent Hamer
Soi Cowboy (Reino Unido), de Thomas Clay
Tin Che (Parking) (Taiwan), de Chung Mong-Hong
Tokyo! (França/ Japão), de Bong Joon-ho, Michel Gondry, Leos Carax
Tokyo Sonata (Japão), de Kiyoshi Kurosawa
Tulpan (Alemanha), de Sergey Dvortsevoy
Tyson (EUA), de James Toback
Versailles (França), de Pierre Schoeller
Wendy and Lucy (EUA), de Kelly Reichardt
Wolke 9 (Cloud Nine) (Alemanha), de Andreas Dresen
Yi ban haishui, yi ban huoyan (China), de Fendou Liu
Hunger (EUA), de Steve McQueen

Cinefondation

Ba Yue Shi Wu (EUA), de Jiang Xuan
Blind Spot (França), de Johanna Bessiere, Cecile Dubois Herry, Simon Rouby, Nicolas Chauvelot, Olivier Clert e Yvon Jardel
Et dans mon coeur, j’emporterai… (Bélgica), de Yoon Sung-A
Forbach (França), de Claire Burger
Gata (Rússia), de Diana Mkrtchyan
Gestern in Eden (Alemanha), de Jan Speckenbach
Himnon (Anthem) (Israel), de Elad Keidan
Illusion Dwellers (Reino Unido), de Rob Ellender
Interior. Scara de bloc (Romênia), de Ciprian Alexandrescu
Kestomerkitsijat (Finlândia), de Juho Kuosmanen
The Maid (EUA), de Heidi Saman
Naus) (Cazaquistão), de Lukas Glaser
O Som E O Resto (Brasil), de Andre Lavaquial
El Reloj (Argentina), de Marco Berger
Shtika (Silence) (Israel), de Hadar Morag
Stop (Coréia do Sul), de Park Jae-ok
This Is a Story About Ted and Alice (EUA), de Teressa Tunney

Curtas

411-Z (Hungria), de Daniel Erdelyi
Buen Viaje (Bon Voyage), de Javier Palleiro, Guillermo Rocamora
De Moins en Moins (França), de Melanie Laurent
El Deseo (The Desire) (México), de Marie Benito
Jerrycan (Austrália), de Julius Avery
Love You More (Reino Unido), de Sam Taylor Wood
Megatron (Romênia), de Marian Crisan
My Rabbit Hoppy (Austrália), de Anthony Lucas
Smafuglar (Islândia), de Runar Runarsson

* Lista do site Cineclick