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Queime Depois de Ler

Fevereiro 10, 2009

queime-depois-de-ler-fotoDepois de abocanhar o Oscar de melhor filme em 2007 com Onde os Fracos não Têm Vez, os Irmãos Coen voltam à tela grande em formato comédia. Depois de apresentar um dos melhores filmes da carreira, Joel e Ethan compõe uma história voltda para os bem conhecidos tipos americanos, desde o homem comum babaca até o arrogante inteligente que sempre sabe ter razão. Esses personagens do universo Coen já produziram cenas sensacionais e, em muitos filmes, estiveram lado a lado com o acaso e com o inexplicável, apenas alguns elementos da vasta filmografia dos criadores de Fargo. Queime depois de ler é completamente demente e joga todos os seus personagens para o campo do nonsense e da babaquice. Mesmo assim, o tempo cômico e a precisão de humor é sensacional.

Osbourne Cox (John Malkovich) é um agente da CIA que começa a escrever um livro sobre suas memórias depois de ser demitido. Sua mulher, Katie (Tilda Swinton), está tendo um caso com Harry (George Clooney), um agente do departamento estadual de segurança, e espera que ele se separe da esposa. Como arquivo de dados para o processo, Katie grava informações confidenciais do marido em um CD, que cai nas mãos de dois funcionários de uma academia de ginástica. Linda Litzke (Frances McDormand, ótima!), solteira de meia idade, não vê a hora de fazer diversas cirurgias plásticas, e procura a forma mais rápida de conseguir o dinheiro para isso. Chad (Brad Pitt, engraçadíssimo!) não tem praticamente nada na cabeça e preocupa-se apenas com exercícios físicos e escuta músicas em seu iPod. Como o slogan do filme diz “Inteligência é relativa”, Chad julga que dados de alto escalão da inteligência americana foram gravados no disco e com a ajuda de Linda, começam a correr atrás de uma possível recompensa.

Nada em um filme Coen é normal. A começar pelo roteiro, as histórias de todos os personagens começam praticamente separadas, como ruas paralelas que nunca se encontram. Um leve descuido, passo em falso, uma ação não refletida ou simplesmente o mero acaso são suficientes para desencadear reações estapafúrdias e fazer destinos que antes andavam para lados opostos, agora formarem uma estrutura de choque e de junção de realidades.

Ainda existe a adição de uma boa dose de extraordinário, como uma morte chocante ou um susto bem colocado, ou então uma reação tão idiota de um personagem, que se torna engraçada simplesmente pela encenação e pela situação. É fato: humor negro e tempo cômico é um dos pontos fortes do cinema dos Coen e não é diferente neste filme. As cenas entre Brad Pitt e Frances McDormand revelam trejeitos e nuances que beiram o besteirol. Nada que a vida real americana já não tenha visto, em algum lugar devem existir correspondentes à altura da ficção.

Outra característica importante do cotidiano americano é a face psicótica à que chega a paranóia social constante. Uma das maiores tiradas do filme é a cena em que Linda, sem obter sucesso ao subornar Osbourne com o CD, decide levar as “informações confidenciais” aos russos. Não é surpresa, no entanto, que ela se leve totalmente à sério com essa ação de “espionagem”. Na verdade, Queime depois de ler fala muito mais de um tipo de personagem do que de uma ou outra pessoa em especial. Fala do americano comum, que acredita piamente na televisão, que vai ao cinema rir de baboseiras ainda piores que a sua própria vida e que leva sua existência de forma idêntica ao vizinho do lado. Não é um filme genial, mas bem acima do que se costuma ver nas comédias atuais.

queime-depois-de-ler-posterQueime depois de ler (Burn after reading. EUA, Reino Unido, França, 2008)
Direção: Ethan Coen, Joel Coen
Roteiro: Joel Coen, Ethan Coen
Elenco: Frances McDormand, John Malkovich, Brad Pitt, George Clooney, Tilda Swinton, Richard Jenkins, J.K. Simmons, Olek Kupra
Duração: 96 min.
www.burnafterreading.com

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Um comentário

  1. Filmaço. Um dos melhores filmes do ano passado. Os Coen são mestres.



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