Sem palavras, o melhor filme sobre a guerra do Vietnã. Uma epopéia selvagem sem fim, com atuações brilhantes e fotografia perfeita. Merece um Screenshots!
Posts de Janeiro, 2009

Linha de Passe
Janeiro 25, 2009
No site da IMDB, a frase que define a trama de Linha de Passe é a seguinte: “Quatro irmãos de uma família extremamente pobre lutam para se tornarem o que sempre sonharam…jogadores de futebol”. Na verdade, há uma confusão aqui, pois apenas um destes quatro irmãos pretende se tornar um jogador de futebol no filme. Com tantos filmes parecidos, é fácil confundir. Mas, já que a estética favela continua com tudo no cinema nacional, qual a importância dos sonhos dos outros irmãos? Afinal, entra ano e sai ano e o Brasil continua o país do futebol, então é natural que todo mundo aqui queira ser jogador, nem que seja do campeonato da várzea ali da esquina. É natural também que um filme como este, que faz companhia a todos os outros que falam sobre pobreza, tente a todo o momento despertar a pena e a compaixão no espectador. Diga-se de passagem, até consegue ser um tanto sincero, mas aos poucos se torna um emaranhado de clichês bem piegas.
Mas vamos para a estória: Cleuza (Sandra Corveloni, razoável!) é uma mãe de família na periferia de São Paulo que luta todos os dias para sustentar a casa e ainda fazer papel de “pai e mãe”. Trabalha como doméstica, tem quatro filhos e, aos 42 anos está esperando o quinto rebento. O filho mais novo, Reginaldo (Kaique de Jesus Santos, ótimo!), passa os dias dividido entre a escola e à procura do pai, que nunca conheceu, e que sabe apenas ser negro e motorista de ônibus. Dario (Vinícius Oliveira) sonha em ser jogador de futebol e enfrenta, com determinação, uma peneira atrás da outra. Só que está prestes a entrar na maioridade e aos poucos vai ficando para trás, vendo seu sonho escapar por entre os dedos ao longo dos testes. Dinho (José Geraldo Rodrigues) trabalha em um posto de gasolina e é um dos devotos fiéis de uma igreja evangélica, onde procura esconder por trás da fé sua necessidade de afeto e sua falta de perspectivas. Dênis (João Baldasserini) trabalha como motoboy e divide seu tempo entre as ruas da cidade, um filho que já cresce sem a presença do pai e saídas diversas com outras mulheres.
Se há algo interessante em Linha de Passe, é a relação entre a estagnação da família, em todos os sentidos, e a pia da casa que a mãe não consegue desentupir. Pia entupida, vida entupida. Este sentimento, sim, está próximo da realidade de muitos brasileiros, mas, o futebol desempenha aqui um clichê poderoso, que aliado à religião, concentra para as classes menos favorecidas o espetáculo das massas. A simples reprodução disso deixa um gosto de mais do mesmo e não adiciona nada muito novo à nova-velha fórmula do cinema da retomada. Muito melhor, teria sido um documentário sobre estes mesmos assuntos, com pessoas verdadeiras e sem atores. Não há sinal que justifique um prêmio de atuação em Cannes para Sandra Corveloni, desconhecida do grande público até então. É uma boa atriz, mas praticamente não chama a atenção. Todos eles, lutam para andar para a frente e passar da “linha” que os separa da sociedade.
Por outro lado, Kaique de Jesus dos Santos, que interpreta Reginaldo, entrega melancolia, praticidade e ternura ao encarnar uma criança no meio deste circo todo. São dele as cenas mais significativas do filme, que culminam em um final apoteótico, onde Reginaldo praticamente extermina todas as amarras e sai livre pelo mundo, pilotando sua própria vida. Ademais Linha de Passe não empolga. O roteiro é bem construído e bem conduzido por Walter Salles e Daniela Thomas na direção, mas está longe de ser um filme brasileiro forte. É apenas um filme brasileiro, mais um, de tantos, abaixo da tal linha de passe ou linha da normalidade: senso comum.
Linha de Passe (Brasil, 2008)
Direção: Walter Salles, Daniela Thomas
Roteiro: George Moura, Daniela Thomas, Bráulio Mantovani
Elenco: Sandra Corveloni, Kaique de Jesus Santos, Vinícius de Oliveira, João Baldasserini, José Geraldo Rodrigues
Duração: 113 min.
www.paramountpictures.com.br/linhadepasse/
__________

Afins: Durex-Get it on
Janeiro 19, 2009Existem algumas idéias que tem o poder de me fazer acreditar no ser humano novamente. Assim, por alguns minuto tenho a esperança de que não só de idiotas este mundo é formado. Esta propaganda de uma marca de preservativo, além de ser genial, continua perpetuando o que eu sempre soube: animação é muito foda! Aqui, literalmente, hehe!

Quase Famosos
Janeiro 19, 2009
Vi Quase Famosos pela primeira vez no cinema quando tinha 18 anos. Minha reação ao final da projeção foi ao mesmo tempo ingênua e irresistível: escutar The Who depois de acender uma vela e encontrar pelo menos uma Penny Lane durante o curso da vida, seja onde for. Naquela época ainda não sabia muitas coisas sobre rock n’ roll, o máximo que escutava eram bandas contemporâneas que faziam um som muito diferente de Led Zeppelin e companhia. Com a Internet ainda na idade da pedra, MP3 nem sonhando em nascer e sem sinal algum de que um dia teríamos locadoras de DVD na cidade, corri à loja de CDs mais próxima e efetuei a compra da trilha sonora do filme. Esta seria minha referência para o que tinha acabado de ver e que, de alguma forma mística, pedia para ser visto novamente e aprofundado. Obrigado Cameron Crowe!
O roteiro de Quase Famosos é muito bem escrito, um tipo de semi-autobiografia do diretor Cameron Crowe. William Miller (Patrick Fugit) é um aspirante à jornalista de 15 anos que tem a chance de cobrir a turnê da banda Stillwater para a revista Rolling Stone. O garoto parte então para uma jornada onde o que menos importa é a veracidade dos fatos, e é advertido por Lester Bangs (Phlip Seymour Hoffman) a aproveitar todo o circo, mas nunca cair de amores pelos astros do rock. Na estrada, William conhece e se apaixona por Penny Lane (Kate Hudson), uma groupie misteriosa que se recusa a dizer seu verdadeiro nome e é apaixonada pelo vocalista da banda, Russel Hammond (Billy Crudup). Enquanto o garoto atravessa o país, sua mãe possessiva Elaine (Francês McDormand, perfeita), tem a certeza que cometeu um erro ao deixar o filho sair de casa para a estrada.
Poucas vezes um exercício de cinema foi tão bem sucedido como neste filme. Tudo está praticamente perfeito em tela. Desde a representação da família americana de classe média, passando pela caracterização da banda Stillwater, que apresenta músicas e astros que lembram, e muito, a banda Led Zeppelin. Mas talvez o melhor em todo o filme seja a capacidade que diretor, elenco e equipe técnica tiveram de criar, depois de quase 30 anos, a mesma atmosfera do auge do rock n’ roll do final dos anos 60. Está tudo lá: discos de vinil, carros clássicos, ônibus metálicos, camisetas de duas cores, a caneta Bic amerela com tampa azul, hippies, groupies e, é claro, a música, sem ela este exercício não daria em absolutamente nada. Mas, para um filme mais completo ainda, assista ao Director’s Cut, sensacional.
A trilha sonora é algo estupendo. Recheado com o que de melhor se produziu no rock n’ roll daquela época, o disco conta com nomes como The Who, Yes, The Seeds, David Bowie, Simon & Garfunkel, The Beach Boys e é claro, Led Zeppelin, entre outros. Mas, talvez a música que consiga representar de maneira mais completa o significado deste misticismo todo é Tiny Dancer, de Elton John, tema escolhido para uma das cenas mais antológicas do cinema, dentro do ônibus da banda. É impressionante a aura fantástica e dolorida que a música passa a possuir depois de embalar uma cantoria desenfreada dentro do ônibus da banda Stillwater. Penny olha para William e diz: “Você está em casa!”.
É mais ou menos como me senti ao fim daquela sessão de cinema, quase nove anos atrás, também me sentia em casa. E, dizem, tudo sempre acontece por causa de uma garota, Penny Lane trouxe para Kate Hudson um lugar aconchegante dentro do meu peito, por mais que a atriz agora amargue personagens débeis e veja sua carreira reduzida a comédias idiotas, ela sempre será a eterna Penny Lane, a razão de a música existir, a inspiração para todo o circo. Cameron Crowe também não anda lá muito bem das pernas e depois de Quase Famosos não conseguiu mais o mesmo sucesso com seus outros filmes. Claramente, já não se faz música como antigamente e muito menos filmes, Quase Famosos é uma exceção e uma unanimidade para o pessoal que se diz órfão dos anos 60, embora nunca tenha vivido a época propriamente dita.
No fim da contas, Quase Famosos é um filme feito por um cara que não é cool, para uma platéia muito menos cool, e que provavelmente vai ser, por um bom tempo, um símbolo da liberdade que só a música consegue trazer. Por isso, Quando estiver meio pra baixo, não leve a sério, passe em uma loja de discos e visite seus amigos. Como Penny diz: It’s all happening.
Quase Famosos (Almost Famous. EUA, 2000)
Direção: Cameron Crowe
Roteiro: Cameron Crowe
Elenco: Kate Hudson, Patrick Fugit, Billy Crudup, Frances McDormand, Philip Seymour Hoffman, Jason Lee, Zooey Deschanel, Michael Angarano, Anna Paquin, Jimmy Fallon, Fairuza Balk
Duração: 122 min./162 min.
www.imdb.com/title/tt0181875/
__________

Violência Gratuita (2007)
Janeiro 6, 2009
Em dezembro chegou às locadoras este Violência Gratuita, último filme do diretor austríaco Michael Haneke, responsável, entre outras coisas, pelo ótimo Caché (2005). É impossível falar deste filme sem, por consequência, falar de outro Violência Gratuita, de 1997, também realizado por Haneke. Mas, é claro que eu teria de assistir esta versão anterior e foi então que a coisa complicou. Na cidade não existem cópias da versão de 1997, portanto, a única solução foi recorrer ao meu tio, o Seu Torrent. Com as duas versões devidamente assistidas, eis o que você precisa saber sobre o novo Violência gratuita.
Os americanos Ann (Naomi Watts) e George (Tim Roth) viajam para sua casa no lago em companhia do filho Georgie (Devon Gearhart). São surpreendidos por dois rapazes psicopatas, Paul (Michael Pitt) e Peter (Brady Corbet), que passam a fazer a família refém em sua própria casa. A aparente desorientação da qual sofrem os dois garotos fica evidente quando seu comportamento começa a flertar com a tortura e a brincar com o horror como se fosse um jogo comum e entediante. Quando Paul vira-se para a câmera e conversa com o espectador, lhe fazendo participar da sessão de tortura, o tom polêmico, sempre presente nas obras de Haneke toma conta da obra. É então que uma série de reviravoltas parece também brincar com o destino dos personagens, propositadamente.
Ao contrário do que se imagina, o diretor não mudou praticamente nada na nova versão. Com exceção do elenco, formado agora por grandes nomes do cinema, fez questão até de filmar os mesmos enquadramentos, os mesmos planos e o mesmo roteiro. A partir disso, a questão mais recorrente para todos os críticos era: por que diabos Haneke fez dois filmes idênticos? Alguns chegaram à conclusão de que o cineasta é simplesmente excêntrico. Outros decidiram abandonar o filme e lhe rogaram o título de um dos piores do ano passado. Outros ainda dizem que o segredo de Haneke é interpretar a mudança no espectador e não no filme. Dificilmente dois ou mais críticos chegavam à conclusão de algo positivo sobre a obra.
Em primeiro lugar, é preciso dizer que este novo elenco de Haneke é por demais fraco em relação ao da obra original. Não existe comparação possível entre Tim Roth e Ulrich Mühe (A vida dos outros), responsável pelo papel de patriarca em 1997. Talvez essa mudança crucial já seja determinante para transformar o produto, afinal, atuações não podem ser idênticas. Depois, não é nenhuma novidade o apelo gerado pela capacidade que alguns personagens tem de se voltar para o público ou de, teoricamente, reescrever suas histórias. Resta o apelo da violência em si que, provavelmente, poderia acontecer com qualquer um de nós. Mas, não existe nada neste filme que já não tenha sido apresentado em Laranja Mecânica, por exemplo, cerca de 40 anos atrás. Não há nem ao menos um novo ritual sádico para fazer valer o ingresso, se é isso que a maioria procura.
No entanto, existem algumas situações que podem ser levantadas. Como o caso da estética da repetição de Haneke, que atingiria níveis estratosféricos, com dois produtos idênticos, com intervalo de dez anos. Resta saber se daqui mais dez anos, o cineasta irá refazer Violência gratuita com um novo elenco. Outro ponto importante é o do acaso: Haneke é tentado pelas obras abertas, com vários significados e ao mesmo tempo nenhum. Assim, a história deste novo filme seria apenas mais um ato de violência aleatório contra uma família qualquer, realmente ao acaso. O fato é que a discussão sobre as razões de Haneke está longe de acabar, e é por isso que ele é um cineasta tão polêmico.
Mas, acho que a verdadeira intenção do diretor foi criticar a violência como entretenimento, ou a utilização dela para recreação. Afinal, a violência vista na tela nunca pode ser real, é sempre estilizada e recriada sob algum ponto de vista. Talvez a violência sem um sentido plástico seja um tipo de riso sarcástico de Haneke àqueles que engrossam as platéias para ver sempre a mesma repetição de um pastiche enlatado e coreografado de forma milimétrica. Touché, Tarantino.
Violência Gratuita (Funny Games U. S., 2007. EUA, França, Reino Unido, Áustria, Alemanha, Itália)
Direção: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke
Elenco: Naomi Watts, Tim Roth, Michael Pitt, Brady Corbet, Devon Gearhart
Duração: 106 min.
www.imdb.com/title/tt0808279/
__________





























































