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O Procurado

Setembro 18, 2008

Rááá! E fez-se Timur Bekmambetov. Diretor russo que em 2004 lançou Guardiões da Noite, o primeiro filme de uma trilogia baseada na obra de ficção-científica do escritor Sergei Lukyanenko. O estrondoso sucesso deste primeiro filme em todo o mundo, feito por “apenas” 5 milhões de dólares, e com efeitos visuais de cair o queixo, garantiu entrada certa do cineasta em alguma produção bacana de Hollywood. Valeu, até mesmo, elogios do tipo “Tarantino russo”, coisa que não tem o menor cabimento. Bekmambetov tem, sim, um estilo extremamente americano de fazer filmes, mas, ao mesmo tempo, guarda uma falsa originalidade que beira o exagero. Chega agora aos cinemas da cidade O Procurado, o tal filme bacana no qual o russo conseguiu entrar pela porta da frente.

A história é basicamente essa: Wesley Gibson (James McAvoy) é um cara ordinário, trabalhador de um escritório comum, passa os dias sendo engolido pela rotina à base de remédios. Subitamente é encontrado por Fox (Angelina Jolie) que lhe informa que seu verdadeiro destino é entrar para uma sociedade secreta de assassinos que existe a mais de mil anos. Treinando seus poderes sobre-humanos para matar, Wesley recebe as ordens de Sloan (Morgan Freeman), que recebe o nome das vítimas por código binário saído de um tear mecânico.

Acha que é o bastante? Espere até ver as cenas de uma perseguição com Angelina Jolie no volante de um Viper, ou o treinamento de tiro de Wesley, com balas especiais que contornam obstáculos e não deixam rastros. A história ainda possui reviravoltas, suspense e cenas pontuadas por diversos efeitos especiais, abuso de câmera lenta e efeitos bullet time. Mas, nada salta mais aos olhos do que a violência, e ela é extrema. Não é por acaso que o filme saiu nos Estados Unidos com classificação R, permitido apenas para público restrito, acima dos 18 anos.

Um outro truque utilizado é falar diretamente com quem está assistindo. Através da comparação entre a vida de Wesley e a vida de qualquer espectador comum, as palavras chaves do filme aparecem: escolha seu destino. Na maior parte do tempo, essa alternativa é constante no discurso do personagem principal, coisa que já não é tão nova no cinema. Basta lembrar de Clube da Luta e similares, que conclamam todos os nerds deste mundo a tornarem-se mais cool. Afinal, quem não quer ter uma parceira de crime tão fantástica quanto Angelina Jolie? Mas, não é pra qualquer looser.

No fim das contas O Procurado é um bom entretenimento, com bons momentos cômicos e visual espetacular. Quem conhece o trabalho de Bekmambetov vai lembrar de algumas cenas de sua trilogia russa que estão presentes neste longa. Também é notável que o diretor já tem um estilo próprio, irreverente, sarcástico e ao mesmo tempo recheado de referências como Star Wars, Matrix e outras ficções-científicas a fora. Uma continuação de O Procurado já surge em fortes boatos, já que a película foi uma das maiores bilheterias do ano, à frente de coisas como Wall-E. Um possível O Procurado 2 deve acontecer logo após Bekmambetov terminar sua trilogia lá na Rússia com Guardiões do Crepúsculo, previsto para 2009. Se depender da dança das cifras, já está feito.

O Procurado (Wanted, 2008. Estados Unidos e Alemanha)
Direção: Timur Bekmambetov
Roteiro: Michael Brandt, Derek Haas e Chris Morgan
Elenco: James McAvoy, Angelina Jolie, Morgan Freeman, Terence Stamp, Common, Thomas Kretschmann
Duração: 110 min.
www.wantedmovie.com

3 comentários

  1. Me decepcionei (muito) com esse primeiro trabalho de Bekmambetov, tanto que sequer cito ele na crítica. Não faz jus ao que eu vi em Guardiões da Noite. Procurei um sentido maior – que talvez tenha ficado perdido nas HQs – ou um roteiro mais convincente, que não se prestasse a apenas jogar os fatos e dizer ao espectador: Aceite, é assim e fim de papo. Oscila entre o irreal e absurdo mantendo um pé na realidade, o que nem sempre funciona. A ação é frenética, bem feita, mas falta aquele “tcham” que te faça ver seqüências com a do Viper sobre o ônibus, ou a “entrada” do McAvoy no carro em movimento e aceitar como algo plausível no universo retratado no filme.
    Vou esperar pelo fim da trilogia e, sinceramente, torcer para que não venha um segundo filme – ou que este preencha as lacunas que eu, como espectador virgem das HQs, tenha sentido.

    Abração cara


  2. Pois é, acho que Guardiões da Noite é ótimo, já o Guardiões do Dia não é tão bom assim. Sei lá, parece um carma que os caras tem de se perder depois do primeiro filme. E, com certeza esse aqui ele fez mais pelo dinheiro e pela visibilidade. tem alguns sites americanos falando que esse filme colocou em risco o final da trilogia lá na rússia. tomara que não né.


  3. Pois, seria colocar a cereja no bolo da idiotice: o cara faz algo que os produtores de lá não gostaram e eles impedem o cara de prosseguir um trabalho que não tem nada a ver com o outro?
    Tão tomando muita vodca por lá…coisa doida, espero que não.



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