
Apenas Uma Vez
Setembro 6, 2008
Uma história universal, que poderia se passar em qualquer lugar, sem hora exata e para absolutamente todos aqueles que gostam de boa música. Tanto é que, os personagens principais deste filme não têm nomes próprios. São chamados apenas de “o cara” e “a garota”. Apenas Uma Vez é um pequeno filme feito na Irlanda e lançado por lá em 2006. Consumiu apenas 17 dias de gravação, com duas handycams, muita vontade e uma trilha sonora de sensibilidade única. Simplicidade nunca foi tão bem-vinda, e ainda bem que ela conseguiu chegar até aqui pelas vias tortuosas do cinema independente.
Glenn Hansard, vocalista da banda irlandesa The Frames, interpreta um músico de rua, que além de trabalhar na loja de conserto de aspiradores do pai, ainda escreve canções sobre uma desilusão amorosa que foi parar em Londres. Pelas ruas de Dublin ele conhece uma garota, interpretada por Marketa Irglova, imigrante tcheca, com filha pequena e um trauma de amor do mesmo tamanho, sensível e pianista, ela não demora a se interessar pelo amigo e pela sua música. Ele num violão e ela em um piano emprestado, ainda na loja de instrumentos, os dois começam um dueto mágico tocando e cantando “Falling Slowly”, melhor canção no Oscar deste ano.
A partir daí a amizade entre os dois começa a se estreitar e a partir das experiências amorosas mal sucedidas, uma colaboração espontânea começa a brotar. Um companheirismo único que levam ambos a completar as composições um do outro. Uma sinergia pouco vista no cinema e da qual o diretor John Carney, ex-baterista da mesma The Frames, consegue extrair um filme espetacular. Tudo baseado na liderança dos atores, com dicas aqui e ali, mas que, no fim das contas, é a pura liberdade em forma de cinema.
A parceria evolui a níveis profissionais e a oportunidade de gravar um disco demo fica mais próxima. Depois de alugar um estúdio e trabalhar exaustivamente no resultado, o cara e a garota agora tem de ir cada um para seu lado. No entanto, depois dessa avalanche de sentimentos, os dois parecem estar mais preparados para enfrentar a vida e encarar seus desesperos. A frase que define o filme, desde o lançamento é “com que freqüência você encontra a pessoa certa?”. Dependendo da pessoa, existem várias respostas, mas, o mais evidente é que esse encontro seja único, ou seja: apenas uma vez, ou Once, como no título original.
Esse estilo de filme, absolutamente informal, onde o roteiro é quase secundário, lembra um pouco Richard Linklater em Antes do Amanhecer e Antes do Por-do-Sol, mas aqui existe a música. E ela inunda o fotograma. Neste ponto, remete mais a Michael Winterbottom, que fez de 9 Canções uma obra carnal-musical nunca antes vista no cinema e nos presenteou com o igualmente musical A Festa Nunca Termina. Resta agora ver e rever este belo filme, do qual não é possível se manter distante.
Durante a entrega do Oscar de melhor canção, Glenn Hansard e Marketa Irglova ressaltaram a importância daquele verdadeiro artista independente que está sempre na labuta, que dificilmente consegue se pagar, mas que no fundo quer ser reconhecido pela sua arte. Para o bem de todos nós, que esse reconhecimento não tenha acontecido apenas desta vez.
Apenas Uma Vez (Once. Irlanda, 2006)
Direção: John Carney
Roteiro: John Carney
Elenco: Glen Hansard, Marketa Irglova
Duração: 85 min.
www.foxsearchlight.com/once
Um filme excepcional…Já assisti 3 vezes, e não me canso.
Um filme de sensibilidade, só quem tem consegue entender…
Maravilhoso!