
Sex and The City – O Filme
julho 8, 2008
Devo confessar que antes de ver o filme Sex and The City, nunca tive muita curiosidade de saber como era a série homônima que falava sobre quatro amigas vivendo em Nova York. Lembro até que tentei começar a primeira temporada, mas não tive muita paciência para os comentários da escritora Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) sobre compras na Quinta Avenida ou sua última aventura amorosa. Assim, nem mesmo conhecia as outras personagens, Charlotte York (Kristin Davis), Miranda Hobbes (Cynthia Nixon) e Samantha Jones (Kim Cattrall). A única coisa que sabia sobre a série dizia respeito à excessiva superficialidade de todas as personagens e devia ser este o motivo de tanto sucesso de série, pelo menos nos Estados Unidos.
No longa, a historia principal gira em torno do casamento de Carrie com Mr. Big (Chris Noth), um investidor financeiro de sucesso, namorado da escritora há dez anos. Ao mesmo tempo mescla a separação de Miranda, a realização familiar e a felicidade de Charlotte e o sucesso profissional e frustração conjugal de Samantha. Tudo parece ruir para Carrie quando ela é deixada no altar por Mr. Big, amedrontado por uma declaração de Miranda na noite anterior ao casamento. Tento de votar a sua vida de solteira e ao seu antigo apartamento, Carrie precisa restabelecer sua vida e conta com a ajuda de uma assistente, Louise (Jennifer Hudson), que faz também, por muitas vezes, papel de amiga.
De todas as falhas deste filme, seu tempo de projeção é o que parece incomodar mais. Duas horas e quinze minutos de infinitas reviravoltas para desenvolver as quatro personagens de forma equilibrada, que acabam por dar mais relevância à narradora, inevitavelmente. Carrie é sempre o centro das atenções e com certeza a personagem mais egocêntrica das quatro. É só ela que precisa de uma assistente para governar a própria vida. O longa parece não ter diretor e muito menos roteirista.
A comparação de sentimentos também é simplesmente hilariante e duvidosa. Para Carrie, todos vão para Manhattan atrás de duas coisas: moda e amor. Mas, não são todos que podem gastar alguns mil dólares com alta costura. É fácil para ela conseguir todos os tipos de grifes e viver em torno delas, mas quando Louise vai embora, fica clara a impossibilidade daquelas quatro amigas de estourarem a barreira do previsível. Neste momento Carrie agradece Louise por ter lhe dado a vida novamente e Louise agradece a única coisa que Carrie pode dar a alguém: “Você me deu Louis Vuitton”. Esta é a realidade sintomática do filme e da série: personagens supérfluas e nada mais do que isso. Não vale aqui nem comentar a vida das outras personagens, a mais normal é a de Charlotte, a única amiga feliz realmente, com sua família.
No entanto, algumas investidas do filme o fizeram uma experiência menos desgastante. Alguns bons autores são citados nas cartas de amor que Mr. Big escreve para Carrie. Seu casamento, por mais opulento que seja, aconteceria dentro da Biblioteca Pública de Nova York, um lugar incomum para o acontecimento e que abriga a história dos mais diversos pensadores, imediatamente reduzida por Carrie ao lugar onde as “histórias de amor” estão guardadas. O tempo cômico do filme é interessante, mas ele não pode viver só disso e com uma briga de egos para ver que atriz receberia mais no filme, depois de Sarah Jessica Parker, é claro, há que se imaginar o resultado: futura sessão da tarde.
Sex and The City – O Filme (EUA, 2008)
Direção: Michael Patrick King
Roteiro: Michael Patrick King
Elenco: Sarah Jessica Parker, Cynthia Nixon, Kim Cattrall, Kristin Davis, Jennifer Hudson, Chris Noth, Candice Bergen
Duração: 148 min.
www.sexandthecitymovie.com