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Wall-E

Julho 1, 2008

Antes da estréia de Wall-E nos cinemas me perguntava se o filme teria o mesmo impacto que sua campanha de marketing. Afinal, nunca na história da Pixar uma animação havia produzido tanto material, principalmente em vídeo para divulgar um filme. Eu não poderia estar mais enganado e o que vi foi, sem dúvida, uma obra-prima não só da animação, mas do cinema em geral. É importante dizer desde já que em algum tempo este filme estará ao lado de tantos que o inspiraram como E.T., Blade Runner, 2001, Guerra nas Estrelas, entre outros. Não é preciso, no entanto, conhecer a fundo todo esse universo da ficção-científica, pois, para seu diretor, Andrew Stanton, Wall-E é apenas uma história de amor.

Num futuro remoto, depois de muito tempo de consumo desenfreado, a Terra já não pode mais abrigar vida. Assim, os humanos são forçados a deixar o planeta e passar algum tempo no espaço para que uma grande faxina seja feita. Deixam para trás um exército de robôs que têm a missão de limpar a Terra e torná-la verde e azul novamente. Depois de quase 700 anos, o único robô que ainda funciona é Wall-E ( sigla para Waste Allocation Load Lifters Earth-Class), robozinho que desenvolveu inteligência e curiosidade anormal sobre a raça humana. Ele passa os dias erguendo enormes pilhas de lixo compactado e guardando em seu caminhão objetos estranhos produzidos pelo homem, como uma cópia em VHS de Alô Dolly! que costuma assistir. Faz tudo acompanhado apenas por uma minúscula barata.

Os primeiros 30 minutos de filme podem ser descritos como um verdadeiro tratado sobre a solidão. Também tenta explicar como um robô aprende esse tipo de sentimentos e todos os outros que pertencem à esfera da consciência humana. É então que chega ao planeta uma pequena espaçonave da qual sai EVE (Extra-terrestrial Vegetation Evaluator), traduzido como Eva nas cópias dubladas, uma robô com a missão de identificar vida no planeta em forma de vegetação. Não demora para Wall-E cair de amores por Eva. Mas, no momento em que ela é levada novamente ao espaço, Wall-E irá embarcar na mais fantástica aventura para trazer a vida de volta ao planeta e ao mesmo tempo, encontrar sua amada Eva.

Falar de sucesso na técnica de animação é pura perda de tempo. Já se sabe que a Pixar é a pura excelência no gênero e não deixa por menos em Wall-E. O que é importante ressaltar neste filme é o universo e o contexto em que está inserido. Wall-E é uma fábula ecologicamente correta, mas isso não quer dizer que seja militante ou panfletário. Ele usa o ambiente como pano de fundo da história de Wall-E e Eva. Este talvez seja o primeiro filme a abordar o problema como real, e ao ambientá-lo 700 anos no futuro, sugere que o homem terá que adquirir novamente consciência e razão, depois de a vida humana estar ameaçada por um fio. Sugere ainda que o controle através do consumo, o individualismo, a falta de contato físico e o sedentarismo serão responsáveis por uma regressão sem precedentes na história do homem como raça. A inversão de valores também é clara no filme: os robôs são mais “humanos” do que os próprios humanos.

É indescritível a sensação de se testemunhar o nascimento de um clássico, um filme épico, que irá influenciar muitas gerações a seguir. Wall-E não só faz rir muito mas também emociona até ao mais grandinhos e nos presenteia com um dos personagens mais simpáticos, engraçados e simples da história do cinema. Um nobre robô lixeiro, limpando nossa sujeira no mundo. Por fim, resta saber se seremos capazes de aplicar a mesma criatividade que temos para filmes na vida real quando a hora de deixar o planeta chegar.

Wall-E (EUA, 2008)
Direção: Andrew Stanton
Roteiro: Andrew Stanton, Jim Capobianco
Vozes: Ben Burtt, Elissa Knight, Jeff Garlin, Fred Willard, John Ratzenberger, Kathy Najimy, Sigourney Weaver
Duração: 103 min.
www.wall-e.com

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